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Ele passou por mim e sorriu e a chuva parou de cair o meu bairro feio tornou-se perfeito e o monte de entulho, um jardim O charco inquinado voltou a ser lago e o peixe ao contrário virou Do esgoto empestado saiu perfumado um rio de nenúfares em flor Sou a mariposa bela e airosa que pinta o mundo de cor de rosa eu sou um delírio do amor Sei que a chuva é grossa, que entope a fossa que o amor é curto e deixa mossa mas quero voar, por favor No metro, enlatados, corpos apertados suspiram ao ver-me entrar Sem pressas que há tempo dá gosto o momento e tudo mais pode esperar O puto do cão com seu acordeão põe toda a gente a dançar e baila o ladrão com o polícia p'la mão esvoaçam confetis no ar Sou a mariposa bela e airosa que pinta o mundo de cor de rosa eu sou um delírio do amor Sei que a chuva é grossa, que entope a fossa que o amor é curto e deixa mossa mas quero voar, por favor Há portas abertas e ruas cobertas de enfeites de festas sem fim e por todo o lado, ouvido e dançado o fado é cantado a rir E aqueles que vejo, que abraço e que beijo falam já meio a sonhar se o mundo deu nisto e bastou um sorriso o que será se ele me falar Sou a mariposa bela e airosa que pinta o mundo de cor de rosa eu sou um delírio do amor Sei que a chuva é grossa, que entope a fossa que o amor é curto e deixa mossa mas quero voar, por favor (2X) |